PostHeaderIcon Políticas locais: O Trânsito Cuiabano – parte 1

Após ficar mais de uma semana sem computador devido a uma pane na fonte de alimentação, volto a escrever. Essa pausa forçada teve seu lado positivo, pois reuni argumentos suficientes para dar início a uma nova seção do blog, com um assunto que há muito tempo gostaria de discuti-lo publicamente: políticas locais e assuntos relacionados.

Isso não significa falar bem ou mal de um político ou outro. Significa falar dos problemas que ocorrem localmente – muitos dos quais acontecem em várias outras localidades do Brasil, não somente em Cuiabá.

Era manhã de quinta-feira quando eu havia recém chegado do escritório. Liguei a tv e me pus a assisti-la enquanto tirava meus sapatos e descansava meus pés. Na tela, o noticiário apresentava uma matéria sobre o trânsito e a velocidade máxima permitida em vias arteriais – ruas e avenidas que possuem cruzamentos controlados por semáforos e que fazem a ligação com algumas regiões dentro da cidade.

A matéria encontra-se disponível em http://rmtonline.globo.com/addons/video_player.asp?em=2&v=15210

Acho uma tremenda hipocrisia afirmar que 60km/h é uma velocidade adequada para se trafegar em qualquer cidade brasileira, conforme o especialista em trânsito afirmou.

É engraçado ver como a mídia tenciona tudo para o ponto onde ela (ou alguém mais) quer.

Percebam que a matéria (bem como toda a série especial de trânsito que o mesmo jornal veiculou meses atrás) tende totalmente à questão da imposição de regras como alternativa de aumentar a segurança de condutores e pedestres, mesmo sabendo que a imposição não trará os resultados necessários. A resolução definitiva do problema do trânsito só pode ser alcançada através da EDUCAÇÃO da população. Não é uma questão de educação no trânsito apenas, mas de uma educação moral, que é mais permanente e é aprendida através da família, escola e outros agentes durante nossas vidas.

A matéria do MTTV, bem como o Engenheiro de Trânsito e motoristas que participaram da reportagem foram enfáticos em mostrar que somente fazendo cumprir a velocidade estipulada para as vias é que haveria um suposto aumento na segurança.

Mas porque desconsiderar tantos outras variáveis que além de também influenciarem a segurança no trânsito, ainda trazem melhorias em outros aspectos além desse?

Alguém já parou para pensar que esses “esquecimentos” por parte do poder público e/ou órgãos responsáveis podem ser por conveniência? Se a palavra de ordem é fazer com que sigamos mais e mais regras sem questionamentos e pior, com nosso próprio consentimento, não faz sentido deseducar ou manter um nível ruim de educação, ao invés de estimulá-la?

Sim, faz. E é exatamente o que vem acontecendo.

Alguns dos oportunos “esquecimentos” que constantemente ocorrem tanto na mídia quanto no poder público ou em autoridades são:

1 – Que as ruas e avenidas cuiabanas já não comportam a frota atual de veículos de Cuiabá e Várzea Grande, pois veículos das duas cidades trafegam diariamente pela capital;

2 – Que quando a prefeitura de Cuiabá intervém através de obras, as mesmas têm se mostrado ou pouco eficientes ou até mesmo trazendo mais problemas do que os sanando. Cito três exemplos recentes:

a) Semáforo com botoeira em frente ao supermercado na Av. Miguel Sutil. Minha nota: BOM. Está educando a população, reduzindo o número de acidentes e restituindo os direitos dos pedestres, como deve ser. Mas deixa de ganhar a nota EXCELENTE, já que ao invés do semáforo ser instalado no meio das duas pistas, facilitando a visão dos condutores mesmo à distâncias maiores, foi posto na pista da direita, e tudo por causa do mastro que não tem as medidas adequadas. Para complicar, a visão dos condutores é obstruída por galhos de uma grande árvore que está um pouco à frente do semáforo. O resultado é que só se vê o sinal quando se está bem próximo dele, tirando a atenção da pista e do que estiver nela.
Nota à SMTU: Troque o mastro do semáforo hein!? Não vá podar ou até mesmo cortar a árvore!

b) Rotatória do bairro Santa Helena, também na av. Miguel Sutil  – talvez seja a intervenção de trânsito mais polêmica dos últimos anos em Cuiabá.

Um local notadamente conhecido como o maior ponto de estrangulamento do trânsito cuiabano. Em seu formato original, possuia um semáforo. Juntos, tinham o poder de , na hora do rush, congestionar os dois sentidos da avenida quando a rotatória era travada por carros entrando e saindo e o sinal ficava vermelho em algum sentido. Como os carros que estavam sob sinal verde também não conseguiam se mover, era apenas questão de minutos até o engarrafamento alcançar os outros dois trevos mais próximos. Acidentes também eram comuns.

Então a prefeitura fez uma primeira intervenção. Enquanto a obra transcorria, parecia que seria ótima. Quando a obra terminou, foi feita uma rotatória tão grande que em muito ultrapassava a largura das vias da avenida.Já na primeira semana ocorreram vários acidentes e o congestionamento que antes acontecia em um sentido, passou a  ocorrer nos dois. Não precisou passar outra semana para que a prefeitura fizesse outra correção, diminuindo a circunferência, dessa vez para “apenas” metade de uma faixa.Ná prática, congestionamentos continuam frequentes, só que agora em vários horários diferentes – e nos dois sentidos.

c) Faixa de pedestres com limitadores de velocidade sendo utilizados como limitadores de pistas na av. Miguel Sutil próximo ao hospital Sta. Rosa: A intervenção no trânsito cuiabano mais recente. Local com fluxo moderado de pessoas por boa parte do dia.
A intervenção ocorreu numa tentativa de facilitar a travessia dos pedestres. Contudo, com os redutores de velocidades sendo usados como limitadores de faixas, o tiro saiu pela culatra. Sim, os veículos estão diminuindo a velocidade, mas quando isso não ocorre, o acidente é quase certo. Não tendo nem três semanas após a benfeitoria, diversos acidentes já ocorreram no local. Como os veículos não conseguem trocar de pista, qualquer descuido pode significar colisões e engavetamentos. Eu mesmo presenciei dois acidentes em um só dia. O primeiro, pela manhã, envolvia quatro automóveis engavetados. O segundo, na hora do rush, foi causado por uma motociclista que por pouco não foi atropelada por um carro que vinha logo atrás.

3 – Que se mais ações de educação fossem implementadas, também seria seguro trafegar a 80km/h com a mesma segurança de 60km/h.

É pura conveniência. Tanto esses fatores relacionados ao trânsito, como vários outros ligados assuntos diferentes são devidamente lembrados ou esquecidos conforme a vontade de quem toma as decisões (ou finge que as toma).

Afinal, como fazer para uma cidade que possui uma frota maior que o suportado, transitar com uma velocidade limite de 60km/h sem que todos os horários sejam comprometidos? Ou eles não se lembram desse pequeno detalhe? Claro que lembram, pois isso vez ou outra também é assunto de reportagem local, além de vermos isso acontecendo quase diariamente na capital paulista.

Já imaginaram os cidadãos em ônibus, automóveis e demais veículos saindo das zonas mais distantes das cidades, indo para seus trabalhos ou vice versa? Onde está a qualidade de vida, quando o tempo que teria livre para outras atividades – inclusive o lazer – tem de ser usado no deslocamento de um lado para outro, como já ocorre em São Paulo? É essa mesmo a solução? Andarmos a 60km/h?!

A mim parece que não.

Discutiremos mais sobre isso em um próximo post.

ATUALIZAÇÃO DO DIA 10/11/09

Dois dias após o post ter ido ao ar, a Prefeitura de Cuiabá instalou semáforos no item “C” (Faixa de pedestres com limitadores de velocidade sendo utilizados como limitadores de pistas na av. Miguel Sutil próximo ao hospital Sta. Rosa).

Precisou haver uma série de acidentes, além do gasto desnecessário com uma primeira intervenção feita de forma errada???

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A moderna educação universitária praticamente prepara uma pessoa para adquirir uma mentalidade canina com a qual aceite o serviço de um amo superior. Depois de concluir uma má chamada educação, as supostas pessoas educadas vão, tais quais cachorros, de porta em porta, preenchendo solicitações de emprego, e na maioria dos casos são postas para fora depois de informadas que não há vagas. Assim como os cachorros são animais que servem a seus amos por migalhas de pão, o homem serve fielmente a um amo sem receber recompensas suficientes. A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
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