Eleições 2010 – Lição #1: Como maquiar seus bens
Aqui vemos como maquiar profissionalmente uma Declaração de Bens, no caso em questão, do Ex-Governador (por dois mandatos consecutivos) de Mato Grosso e atual candidato ao Senado, Blairo Maggi – que também já foi o maior produtor individual de soja, e também conhecido como o vencedor do Troféu Moto Serra de Ouro, graças ao desmatamento – todo legal, é claro – aqui no estado.
Declaração de Bens – Blairo Maggi
A estratégia aqui é clara: ser dono de apenas parte das coisas. Mesmo declarando apenas 10% da maior parte de seu patrimônio – inclusive em casas e terrenos (o restante foi estratégicamente repartido entre familiares e pessoas de confiança) – ainda utilizou outro velho ardil contábil, o de manejar dinheiro através de empréstimos (que, dentre outras coisas, não gera impostos). Oficialmente, seu pequeno patrimônio é de R$152.470.034,00.
Se formos analisar a situação sob o aspecto legal, ele não fez nada de errado. Mas e quanto ao aspecto ético?
Blairo Maggi é um dos agentes pró Nova Ordem Mundial mais proeminentes no Brasil. É o exemplo real das corporações – que no Brasil são ingênua e ironicamente (depende do lado que você esteja) chamadas de Grupos – que se infiltram nos governos para executarem com dinheiro público as melhorias que atenderão diretamente suas necessidades. Observem as participações dele em empresas. Maggi está envolvido com todo osetor graneleiro, indo da energia à logística multimodal. Dessa forma, ele e seu conglomerado possuem grande influência em portos, rodovias e hidrovias. Os poucos aspectos positivos que atingem a população são os efeitos colaterais – mas que politicamente nos são vendidos como “desenvolvimento”, “crescimento” e “avanço” para o país ou determinada localidade.
Blairo Maggi ainda utiliza uma estratégia Illuminati também antiga: atuar em duas ou mais frentes ao mesmo tempo, assegurando que vá continuar se beneficiando, independente de qual lado vença.
O ex-governador criou dois discípulos – Mauro Mendes, outro grande empresário (Presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso e dono da maior metalúrgica da região, que realizou diversos serviços para os governos federal e estadual) que se enveredou na política; e Silval Barbosa, da bancada ruralista sojeira e vice-governador de Maggi, que, com a saída deste para concorrer ao senado, passou a ser o Governador de MT.
Eis a declaração de cada um deles:
Declaração de Bens – Mauro Mendes
No caso de Mauro Mendes, vejamos alguns pontos interessantes:
O candidato das corporações possui cotas na empresa Bimetal, com valor declarado em mais de 27 milhões, uma casa avaliada em mais de 600 mil reais, um fundo de investimento no BB com mais de um milhão, mas curiosamente possui menos de 500 reais em duas contas correntes (BB e Itaú) e R$11.000,00 em uma terceira conta. Ora, apenas onze mil em conta corrente, quando possui milhões em fundos de previdência e outros investimentos? Onde está o ativo líquido de Mauro Mendes? Camuflado do TSE, do fisco e de outros bisbilhoteiros, é claro.
Declaração de Bens – Silval Barbosa
Silval Barbosa adotou uma estratégia mais simples, mas pelo visto, tão eficiente quanto as outras já apresentadas.
Como os candidatos fazem a descrição dos bens da melhor maneira que lhes aprouver, Silval optou por uma descrição não detalhada. Observem que sua candidatura já foi aprovada pelo TSE, mesmo quando o candidato declara que possui um avião de 500 mil reais, fundos de previdência e poupança que juntos ultrapassam esse valor, além de outros bens, como uma fazenda de R$600.000,00. Mas onde estão as informações de suas contas bancárias? Esse patrimônio não deveria ser declarado? Silval também é empresário, mas onde estão as informações sobre suas empresas?
Fica uma pergunta: Se nós, meros mortais do povão, temos de apresentar declaração de imposto de renda para obtermos crédito, fazermos um financiamento, dentre outras coisas, por que os candidatos redigem suas próprias declarações de bens, ao invés do TSE utilizar suas declarações do IRPF? Essa declaração em si já é toda manipulada, mas seguramente já ofereceria informações um pouco mais completas do que as declarações apresentadas por esses e muitos outros candidatos por todo o Brasil.
Ficha suja não é só aquele político que já foi pego por alguma razão – algum tipo de corrupção – mas também aquele que está limpo oficialmente, mas entra no mundo político cheio de todas as más intenções e de egoísmo, como os três acima citados. Não foi preciso nem investigar em maiores detalhes as vidas desses candidatos. Uma simples olhada em suas declarações de bens para o TSE já mostra que há muito mais por trás de velhos ou novos sorrisos, velhas ou novas promessas. É o velho mais do mesmo, que insistimos em dar continuidade.

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