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Uma dança para os banqueiros
Espanha.
Terra de sabores e emoções.
Palco de algumas das maiores roubalheiras do mundo, mas também é terra de pessoas movidas pelas emoções.
Quando essas emoções assumem a razão da forma apropriada, eis que surge a força que move a transformação.
E foi na Espanha que pessoas resolveram expressar sua opinião e também se fazerem notar, para que os controladores do sistema saibam que sua bancarrota está mais próxima do que imaginam.
O vídeo abaixo foi gravado na sede dentro do banco mais corrupto do mundo, o Santander. Poderíamos fazer o mesmo por aqui.
***
Atualização
E, conforme o comentário enviado pelo Aguinaldo, veja como o brasileiro “dança” no banco…
Por que precisamos de bancos públicos?
Há alguns meses, publiquei uma série de posts chamada A Ilha dos Náufragos, que sintetiza o que é um banco, sua função, e como esse sistema serve apenas para o enriquecimento de uma minoria, trazendo, em contrapartida, a diminuição da qualidade de vida para a parcela restante da população – a maioria.
Já na semana passada, escrevi outro post, em que falava sobre a falsa-democracia em que vivemos, e como ela, assim como outros regimes existentes, continuam tendo como base o mesmo sistema financeiro que nos mantém nessa escravidão que nós mesmos aceitamos viver.
Qual seria então a solução? A extinção do dinheiro?
Sim. E também não.
Continuamos a precisar de uma moeda de troca, para que nossa sociedade siga com seu desenvolvimento, e que seus cidadãos continuem podendo trocar seus bens e serviço pelas coisas que necessitam. Contudo, não precisamos de um sistema financeiro explorador, no qual o simples ato de criar dinheiro, seja ele em papel moeda ou em bits, já implica em agregação de valor – ou juro. O que dizer dos bancos privados…
Para solucionar essa questão, é claro que existem vários fatores, mas, simplificando a explicação, podemos ter duas alternativas para a implementação de uma economia solidária: uma em micro esfera – o dinheiro alternativo; e outra de macro esfera, e, portanto, de alcance nacional, podendo ser até mesmo de abrancência continental ou global. E é sobre esse modelo que eu gostaria de escrever hoje.
Não é novidade alguma que nossos bancos centrais (a nível de mundo) ou são privados, como no caso dos EUA, ou são públicos, porém, também controlados pelos banqueiros internacionais.
Portanto, para termos uma moeda verdadeira, que beneficie a população mundial ao invés de escravizá-la, precisamos que:
1 – Todos os bancos centrais de fato pertençam a seus governos;
2 – Os governos, seus políticos e demais servidores sejam portadores de genuínos valores éticos e morais;
3 – Os bancos privados sejam substituídos por bancos estatais, e que estes não se comportem como empresas maximizadoras de lucro.
Como vemos, o debate vai muito além da moralidade, como pode aparentar à primeira vista. Trata-se também de uma importante questão econômica, cuja resolução dependerá o futuro da atividade econômico-social mundial – para melhor ou para pior.
No contexto atual, um banco central público, efetivamente controlado pelo governo e voltado para o crescimento igualitário de seu país, possui três pilares fundamentais: em primeiro lugar, superar a crise atual de forma justa e verdadeiramente eficiente. Em segundo, recuperar o sentido do sistema financeiro e promover que o mesmo seja um canal efetivo de transferência de capital para o investimento produtivo. Ainda teria outra finalidade, ser parte de uma estratégia mais ampla de recuperação do poder econômico e democrático da cidadania.
No que diz respeito ao comportamento a longo prazo dos bancos privados – estes têm se comportado exatamente como empresas capitalistas, baseando suas atividades de curto prazo de modo que as estratégias de médio e longo prazo sejam claramente visíveis a todos. Eles têm destinado seus recursos a atividades especulativas, deixando de lado o financiamento da economia real, levando o mundo desenvolvido às menores taxas de crescimento econômico, super-inflando economias em desenvolvimento e estagnando aquelas menos desenvolvidas.
O banco público, este sim, pode resolver essas questões de forma satisfatória. As grandes empresas não seriam financiadas através dos bancos, mas sim as micro, pequenas e médias empresas, bem como a pessoa física. Um sistema financeiro eficiente impulsiona a demanda agregada através do aumento do investimento e do consumo, levando a maiores taxas de crescimento econômico – ao mesmo tempo em que melhora a qualidade de vida dos cidadãos. Além disso, o funcionamento ético do banco público proibiria as atividades especulativas e as práticas depredatórias (como as altas taxas de juros).
O banco público se converteria em um instrumento mais eficaz de fazer política econômica, podendo dirigir as decisões de investimentos das empresas, e, por exemplo, contribuir na criação de um novo modelo produtivo – usando, por exemplo, linhas de crédito barato e o investimento em setores estratégicos, como o desenvolvimento de energia livre.
É claro que, para que tudo isso se torne real, não estamos falando de uma simples substituição de gestores privados por burocratas do Estado. Estamos falando de uma mudança profunda e radical na natureza das instituições bancárias. Um banco público que esteja organizado dentro da real demoracial, com critérios sociais diferenciados, com total transparência e representação social.
É dentro desse novo marco de mudança econômica que pode ser revertida a tendência regressiva das políticas econômicas neoliberais que temos vivido, levando fundalmentalmente na recuperação da oferta de serviços públicos por parte do Estado.
E o interessante de tudo isso é que, para podermos iniciar um novo ciclo econômico expansivo, bem como uma democracia real, não temos falta de técnicos qualificados para fazerem essas e outras mudanças. Isso temos de sobra.
O que nos falta é vontade política e mais ação por parte da população. E esse é o X da questão.
A Ilha dos Náufragos – Uma fábula para entender o dinheiro – parte 2
Dando sequência à nossa fábula, seguem os capítilos 7 ao 12:
À noite antes de se despedir, Martinho fez uma derradeira pergunta:
- Quanto dinheiro será preciso para começar, para que os negócios andem bem?
Os cinco se entreolham curiosos, mas por fim acabam mesmo por humildemente consultar o ilustre Martinho. Com as sugestões do bondoso banqueiro, concordam que 200 dólares para cada um parece ser o suficiente para começar. Uma reunião foi marcada para o dia seguinte à tarde.
Nossos homens se retiram, trocando estimulantes reflexões. Deitam-se tarde, não adormecem senão de madrugada, depois de terem sonhado de olhos abertos com o ouro.
Martinho, ele não perde tempo, esquece a fadiga não pensando em outra coisa senão nos seus prospectos de banqueiro. Ao romper do dia, ele faz um buraco e enterra o dito barril, e meticulosamente dessimula o local de todo traço de terra remexida.
Depois põe em marcha a sua pequena máquina impressora e imprime mil notas de um dólar. Vendo as notas saindo novinhas de sua impressora, pensa para consigo:
- Como são fáceis de fazer estas notas! O seu valor porém, provem dos produtos que elas vão servir para comprar. Sem produtos estas notas não valeriam nada. Estes meus ingênuos clientes, crêeem que é o ouro que garante o dinheiro. Mas eu os tenho seguro pela sua ignorância!
Ao cair da tarde, os cinco ingênuos vão de encontro a Martinho.
8 – A quem o novo dinheiro favorece?
Em cima da mesa havia cinco pilhas de notas.
- Antes de distribuir este dinheiro a vocês é preciso que compreendam certos pormenores.
- O dinheiro é baseado no ouro guardado no cofre do meu banco. Portanto o dinheiro é meu… não fiquem tristes pois eu vou emprestar este dinheiro, e vocês o empregarão como quiserem. Entretanto eu só lhes cobrarei os juros. Visto que o dinheiro em circulação é raro, ele é mesmo inexistente, eu creio ser razoável pedir um pequeno juro de 8 por cento ao ano somente.
- De fato você é muito generoso!
- Um último ponto, meus amigos: antes de receberem o dinheiro cada um de vocês vai assinar este documento, é um compromisso pelo qual cada um se compromete de pagar juro e capital, sob pena de confiscação de vossas propriedades. Oh! uma simples garantia. Eu não tenho a menor intenção de me apropriar de vossas propriedades. Eu contento-me simplesmente do dinheiro, e estou plenamente seguro que conservarão os seus bens e irão me devolver o dinheiro e me pagarão o juro.”
- É de muito bom senso, Senhor Martinho, nós redobraremos de ardor no trabalho e tudo reembolsaremos.
- E é tudo – Venham me ver, se porventura surgir algum problema. O banqueiro é o melhor amigo do mundo… Agora aqui estão os 200 dólares.
E lá foram os cinco amigos, radiantes com o dinheiro em mãos e no pensamento.
O dinheiro de Martinho circula na ilha. As trocas são multiplicadas a medida que ficaram mais simples. Todos estão contentes e saúdam Martinho com respeito e gratidão.
Contudo, o geólogo anda inquieto. Os seus produtos estão ainda sob a terra. Já não lhe restam senão notas no bolso. Como reembolsar o banqueiro no próximo pagamento?
Depois de muito refletir sobre o problema, Tomás aborda-o socialmente.
“Tendo em conta a população da ilha, interroga-se, seremos nós capazes de respeitar os compromissos? Martinho criou no total 1000 dólares, mas ele nos uma soma total de 1080 dólares. Se juntássemos o dinheiro todo em circulação na ilha daria um total de 1000 dólares. Ninguém criou os 80 dólares que faltam. Nós fazemos os produtos e não o dinheiro, Martinho poderá então, apropriar-se de todo o patrimonio da ilha, pois todos juntos não poderemos nunca reembolsar a soma total, capital e juros.
“Se aqueles que são capazes de pagar por eles mesmos sem se importarem com os demais, alguns vão cair em breve, os outros simplesmente sobreviverão, mas o tempo deles também está contado. Portanto mais cedo ou mais tarde todos cairão nas mãos do banqueiro, que se apoderará de tudo. É melhor nos unirnos de imediato e regularizar o problema socialmente.”
Tomás não encontra dificuldade em convencer os outros que o banqueiro os enganou. Concordam com uma reunião geral com o banqueiro.
10 – A benevolência do banqueiro
Martinho adivinha a situação, mas não se desconcerta, mostra-lhes uma cara amigável. O impulsivo Francisco apresenta o caso:
- Como poderemos nós pagar 1080 dólares, quando não há mais do que 1000 dólares em ciculação?
É o juro meus caros senhores, responde o banqueiro. Não aumentou a produção de todos? Pergunta Martinho.
- Sim aumentou, mas o dinheiro não aumentou. Ora é justamente o dinheiro que você quer de volta e não os produtos. Como é que você, a única pessoa que pode fazer dinheiro, fez 1000 dólares e nos pediu 1080 dólares. Isso é impossível!
- Um momento meus senhores, os banqueiros adaptam-se sempre às condições, para o bem estar público… Eu vou lhes pedir unicamente o pagamento dos juros. Nada mais do que 80 dólares. E vocês continuarão a guardar o capital.
- Você perdoa nossa dívida?
- Não. Eu lamento, mas um banqueiro não perdoa nunca uma dívida. Vocês ainda me devem todo o dinheiro emprestado. Mas me reembosarão apenas o juro cada ano, eu não lhes exigirei o pagamento do capital. Alguns de vocês poderão vir a ser incapazes de pagar até mesmo os juros, uma vez que o dinheiro vai de um para outro. Organizem-se em uma nação, acordem entre si um sistema de impostos. Vocês taxarão mais aqueles que tiverem mais dinheiro, menos os outros. Contanto que me tragam coletivamente o total dos juros, ficarei satisfeito e a nova nação renderá muito.
Os homens retiram-se, meio-calmos meio-pensativos.
Martinho recolhe-se, e a sós conclui:
“O meu plano é bom. Gente trabalhadora, mas ignorante. A sua Ignorância e a sua credulidade fazem a minha força. Eles queriam dinheiro e eu lhes meti as correntes, o cativeiro. Cobriram-me de flores enquanto eu os enrolava.
“Oh! grande “Mammom”, eu presinto o teu gênio de banqueiro amparar-se do meu ser. Você bem diss, ilustre mestre: “me concedam o controle do dinheiro de uma nação que eu não me importarei com quem faz as suas leis.” Sou o mestre da Ilha dos Náufragos, porque controlo o seu sistema monetário.
“Eu poderia controlar o universo. O que eu faço aqui, eu, Martinho, poderei fazê-lo no mundo inteiro. Se um dia sair desta ilhota: saberei como controlar o mundo sem ter cetro.
“Minha voluptuosidade soberana seria a de espalhar minha filosofia pela cabeça dos cristãos: banqueiros, chefes de indústrias, políticos, médicos, professores, jornalistas… eles seriam meus criados. A massa cristã se embala melhor na sua escravidão, quando seus capatazes são eles mesmos cristãos.”
E toda a estrutura do sistema bancário Mammoniano se desenha no espírito encantado de Martinho.
Entretanto, a situação piora na Ilha dos Náufragos. Nota-se um esforço para o aumento da produtividade, mas constata-se um decréscimo na venda dos produtos. Martinho sorve regularmente os juros – É preciso separar o dinheiro para pagá-lo. O dinheiro não circula.
Aqueles que pagam taxas mais altas queixam-se dos que pagam menos, e em compensação aumentam o preço de seus produtos. Os mais pobres, os que não pagam taxas, queixam-se por do alto custo de vida e compram menos.
O moral baixa e a alegria de viver os abandona. Trabalham sem convicção. O que de há de bom? A venda dos produtos vai mal; e quando eles vendem, é preciso pagar a taxa a Martinho. O grupo priva-se das coisas. É a crise. E cada um acusa o seu vizinho de falta de virtude e de ser a causa do alto custo de vida.
Um dia a sós no meio do seu pomar, Henrique concluiu, que o “progresso” trazido pelo sistema monetário do banqueiro estragou tudo o que era bom na ilha. Com certeza, os cinco homens possuem os seus defeitos; mas o sistema de Martinho alimenta tudo o que há de mais ignóbil na natureza humana.
Henrique decide convencer e juntar os seus companheiros para uma reuniâo, que ocorre rapidamente. Começa por Tiago: “Ah! diz Tiago, eu não sou sábio. mas ja há muito tempo que sinto, que o sistema deste banqueiro, é mais nojento que a bosta no meu estábulo na primavera!
Aplaudindo um após outro, uma nova entrevista com Martinho ficou assim decidida.
Continua no próximo post…
“O meu plano é bom. Gente trabalhadora, mas ignorante. A sua Ignorância e a sua crédulidade fazem a minha força. Eles queriam dinheiro e eu meti-lhes as correntes, o cativeiro. Cobrirarn-me de flôres enquanto eu os enrolava.
“Oh! grande ‘Mammom’, eu presinto o teu génio de banqueiro amparar-se do meu ser. Tu bem o dissete, ilustre mestre: ‘ue me concedam o controle do dinheiro de uma nação que eu estou me nas tintas de quem faz as suas leis.’ Sou o mestre da Ilha dos Náufragos, porque controlo o seu sistema monetário.
“Eu poderia controlar o universo. O que eu faço aqui, eu Martinho, poderei fazê-lo no mundo inteiro. Se um dia sair desta lihota: saberei como controlar o mundo sem ter ceptro.
“Minha voluptuosidade soberana seria a de espalhar minha filosofia pela cabeça dos cristãos: banqueiros, chefes de indústrias, políticos, médicos, professores, jornalistas,, eles seriam meus criados. A massa cristã se embala melhor na sua escravidão, quando seus capatazes são eles mesmos cristãos.”
E toda a estrutura do sistema bancário Mammoniano se desenha no espírito encantado de Martinho.
A Ilha dos Náufragos – Uma fábula para entender o dinheiro – parte 1
A fábula “A Ilha dos Náufragos”, de Louis Even, serve para entendermos o sistema financeiro desenvolvidopelo engenheiro escocês C. H. Douglas, que foi chamado de Crédito Social: um sistema econômico muito mais justo e equitativo para todos, sem hierarquias ou monopólios e onde cada um, para viver e prosperar, realiza as atividades que gosta!
Nota: a tradução usada mantém a linguagem e os termos usados na época em que o livro foi escrito.
Dividi o texto em três para não ficar um único e enorme post:
Uma explosão destruiu o barco. Cada qual agarrou-se ao primeiro destroço flutuante que lhe chegou às mãos. Cinco acabaram por se encontrar reunidos sobre um destroço que as ondas levaram à deriva. Dos outros companheiros de viagem nenhuma notícia.
Depois de horas, de longas horas a escrutar o horizonte: Será que algum navio em rota por estas andanças do oceano os aperceberá? Irá a jangada de sorte dar à alguma paragem hospitaleira?
De repente, um grito ressonante: Teerrrra! terra à vista! Olhem! Olhem para ali! Olhem precisamnente na direção para onde nos levam!
A medida que se desenha o contorno da costa, os rostos se enchem de alegria.
Eles são cinco, cinco canadenses:
Francisco, o grande e vigoroso é carpinteiro, foi o que primeiro lançou o grito: Terra!; Paulo, é aquele que vocês vêm em primeiro plano na jangada, à esquerda, de joelhos com uma mão no chão e a outra no mastro, é cultivador;
Tiago, especializado na criação de animais, é o homem de calças riscadas que de joelhos na jangada olha em direção à terra;
Henrique, é horticultor agrônomo, um pouco corpulento, sentado sobre uma mala rescapada do naufrágio;
Tomás, é geólogo, é o moço vigoroso que está de pé, atrás do carpinteiro, com uma mão no ombro deste.
2 – Uma Ilha Providencial
Repor os pés em terra firme, é para nós humanos um regresso à vida.
Uma vez secos e aquecidos a primeira ânsia é a de fazer o reconhecimento desta ilha para onde eles foram atirados longe da civilazação. Ilha que eles batizaram Ilha dos Náufragos.
Uma rápida excursão à volta à ilha os enche de esperança. A ilha não é um deserto árido. Eles constatam que são os únicos habitantes ali presentes. Outrora porém, ela fôra habitada por outra gente a julgar pelos vestígios de hordas de animais domésticos nela vivendo. Tiago o criador de gado afirma poder tirar um bom rendimento.
Quanto ao solo da ilha, Paulo acha-o em grande parte muito propício à agricultura Henrique descobriu numerosas arvores de fruto e espera tirar delas bom proveito.
Francisco deparou principalmente com a bela extenção de floresta, rica em madeira de várias espécies: será como uma brincadeira cortar árvores para construir casas para a pequena colônia.
Quanto a Tomás o geólogo, o que mais o interressou foi a parte mais rochosa da ilha. Notou com grande interesse sinais indicativos da presença de vários minerais. Apesar da falta de ferramenta adequada, Tomás sente-se capaz de poder transformar esses minerais em metais úteis a todos.
Assim, cada um poderá então dedicar-se às suas tarefas favoritas para o bem comum. Todos são unânimes em louvar a Providência pelo final feliz do trágico incidente.
3 – As verdadeiras riquezas
Eis os moços amigos com as mãos à obra.
As casas e os móveis são assunto do carpinteiro. Nos primeiros tempos o grupo se contentou de alimentos primitivos. Mas bem depressa os campos produziram e o horticultor obteve boas colheitas.
À passagem sucessiva das estações o patrimônio da ilha se enriquece. Enriquece nao de ouro, não de notas impressas mas sim de verdadeiras riquezas de coisas que nutrem, que vestem, que hospedem e acomodam, que satisfazem as verdadeiras necessidades.
A vida porem não é assim tão doce como eles desejariam, Faltam-lhe certas comodidades a que estavam habituados quando viviam na civilização. Mas sua sorte poderia ter sido bem pior.
Além disso, eles já passaram tempos de crise no Canada – Eles se lembram das privações sofridas então que as lojas estavam repletas, a dois passos de suas portas – Ao menos na Ilha dos Náufragos ninguém os obriga a ver apodrecer à sua vista, coisas que eles necessitam. Taxas e impostos são inexistentes. Confiscações e vendas em leilão, não são a temer.
Se por vezes o trabalho é árduo, ao menos têm o direito de usufruir dos frutos do seu trabalho. Sobretudo explora-se a ilha a louvar a Deus, esperando que um dia se possam rever parentes e amigos com dois grandes bens conservados: a vida e a saúde.
4 – Um Grande Inconveniente
Nossos homens reunem-se frequentemente por causa dos seus negócios.
No sistema econômico bem simples por eles praticado, uma coisa os preocupa cada vez mais. Não têm qualquer espécie de moeda corrente. A troca, o câmbio livre e direto de produtos por produtos tem os seus inconvenientes. Os produtos ao serem trocados não estão sempre à face um do outro, quando da transação. Por exemplo, a madeira usada pelo agricultor no inverno só poderá ser reembolsada por bens alimentares depois de algum tempo. Isto é, no tempo das colheitas, em seis meses.
Por vezes também, um artigo de grande dimensão entregue de uma vez por um dos homens, e que ele queira em troca diferentes pequenas coisas produzidas por diversos deles em épocas diferentes.
Tudo isto complica os negócios. Se houvesse dinheiro em circulação cada qual venderia os seus produtos por dinheiro. Com o dinheiro apurado nas vendas compraria dos outros as coisas que quer, quando quer e que estejam disponiveis.
Todos estão de acordo quão cômodo seria um sistema monetário. Mas nenhum dentre eles sabe como estabelecer um. Eles aprenderam a produzir a verdadeira riqueza, as coisas, mas eles não sabem estabelecer o valor destas riquezas, o dinheiro.
Eles ignoram como o dinheiro começa e como o iniciar, quando o não há e quando se decide conjuntamente de o haver… Muitos homens instruidos ficariam sem dúvida também embaraçados.
Todos os nossos governos o estiveram dez anos antes da guerra. Só o dinheiro faltava, no país, e o governo ficava paralizado quando confrontado com o problema.
5 – A Chegada de Outro Náufrago
Um dia ao pôr do sol, nossos homens sentados a beira da costa retomam o problema pela centésima vez, quando subitamente deparam com um bote remado por um homem só.
Correm para ele para ajudar o seu ocupante, e oferecer os primeiros socorros. Oriundo da Europa, o novo habitante da ilha fala espanhol e chama-se Martinho.
Felizes por terem mais um companheiro, os nossos cinco homens acolhem-no com muito entusiasmo e fazem-no vistar a ilha.
- Embora perdidos no meio do oceano, longe do resto do mundo, eles não são de muitas queixas. A terra rende bem e a floresta também. Uma única coisa nos faz falta: nós não temos moeda para nos facilitar a troca de nossos produtos.
- Bendigam o acaso que me trouxe até vocês, responde Martinho. O dinheiro não tem mistérios para mim. Eu sou banqueiro e eu posso instalar um sistema monetário, em pouco tempo e que os dará plena satisfação.
Um banqueiro!… um banqueiro!…, um anjo vindo direitinho do céu não teria inspirado mais reverência. Não estamos nós habituados, em país civilizado a nos inclinarmos perante “Suas Excelências” os banqueiros, os quais controlam as pulsações da finança?
- Senhor Martinho, já que é banqueiro, não trabalhá na ilha e somente se ocupará do nosso dinheiro.”
- Eu cumprirei com satisfação, como todo o bom banqueiro, o trabalho de forjar a prosperidade comum.
- Senhor Martinho, nós lhe construiremos uma moradia digna de sua posição. Entretanto, se contentaria de residir no edifício que serve às nossas reuniões publicas?”
- Ora bem meus caros senhores, comecemos por descarregar do bote a bagagem que pude salvar do naufrágio: Uma máquina impressora, papel e acessórios, e sobretudo um pequeno barril que tratarei com muito cuidado.
Depois de tudo descarregado, o pequeno barril desperta a curiosidade de nossos bravos homens.
- Este barril, declara Martinho, é um tesouro sem igual ele está repleto de ouro.”
Cheio de ouro! as cinco almas ameaçavam escapar-se dos cinco corpos tal a sua admiração. O deus da civilização entrava assim na Ilha dos Náufragos. O deus amarelo, sempre escondido, mas poderoso, terrível, onde a presença, a carência, ou o mais pequeno capricho pode decidir a vida de cem nações!
- Ouro! Senhor Martinho você é um banqueiro de verdade. Receba nossa homenagens e aceite nossos juramentos de fidelidade.
- Ouro para enriquecer um continente. Mas não é o ouro que vai circular. É preciso esconder o ouro; o ouro é a alma de todo o dinheiro válido. A alma deve permanecer invísivel. Eu lhes explicarei tudo isso, ao lhes passar o dinheiro.
Segunda parte aqui
E aqui a parte final










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